Não tem para onde fugir. É lei inexorável da natureza musical: qualquer cantora que apareça será comparada a sua antecessora no mesmo segmento. Foi assim com Bethânia e Gal, Emilinha e Marlene, Simone e Joana, Madonna e Britney, Cássia Eller e Maria Gadú, entre tantas outras. Contudo, em todos os casos citados, a “genérica” sempre se sobressaiu e conseguiu desvincular seu nome da “fórmula original”, criando uma identidade peculiar.
Acho que não conseguiu exorcizar o encosto por alguns motivos. O primeiro é o mais elementar de todos: deve gostar desse esteriótipo. É como se fosse um certificado de garantia de que sua música vale de alguma coisa. Muito embora se faça de vítima do público e da mídia, Claudia sempre polemiza o assunto, respondendo perguntas a respeito, tocando na sua própria ferida. No final das contas, para ela é bom ser comparada a maior artista brasileira. Ivete, por sua vez, fica na sua, prefere não falar nessa mixórdia musical. Vítima, na verdade, é ela, que tem seu nome comparado ao de Leitte, e nem falo em relação ao que cantam, mas como cantam, já que existe um distância abissal entre o desejo de imitar, passando pela execução, e o resultado da tentativa.
A morena é carismática, espontânea, tem técnica vocal apurada, uma das melhores bandas do país, e um trabalho musical preciso feito com muito cuidado e esmero. A loura, se segura no grito e no corpo de boas proporções, desafina demasiadamente, não marca presença no palco e se esforça para ser engraçada. Se fosse uma nota musical seria dó. Dó, porque em dez anos ainda não achou sua identidade. E aí está o segundo motivo que justificaria a sombra Sangalo na vida de Claudia: a ausência de personalidade. Começou fazendo a linha “menininha-vestida-de-rosa” feminista, um protótipo pink imaturo de Simone de Beauvoir. Depois, ainda no Babado Novo, passou a protagonizar a garota crescida ingênua e alegre. Já na carreira solo, incorporou a fêmea fatal, a Lilith contemporânea, muito embora, fora dos palcos, faça a linha cristã. Na sua atual fase, tenta, desastrosamente, incorporar as divas pop com sotaque tupiniquim. Um misto de Lady Gaga, Ke$ha e Christina Aguilera.
Longe de mim querer desmerecer o talento da loura “famo$a”. Até porque uma pessoa que se presta a subir no palco e consegue animar multidões tem que ter seu valor reconhecido. Mas como animadora. Cantora é muito mais em baixo, ou melhor, muito mais em cima.
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